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Resenha do livro Toupeira

20/01/2014

Segue uma ótima resenha sobre o livro Toupeira publicada no Blog “O Poderoso Resumão”. Agora, passados quatro anos de seu lançamento, essa obra começa a ser lida da maneira como havia pensado: um romance policial. À época (2010), o livro foi tido como uma obra jornalística, de cunho investigativo, dando-se pouca atenção para a construção dos personagens e a trama. Espero que gostem:

Capa do livro "Toupeira - a história do assalto ao Banco Central"

Capa do livro “Toupeira – a história do assalto ao Banco Central”

O assalto ao Banco Central foi com certeza um dos episódios mais surreais da história policial brasileira. No entanto, como em todo grande caso de roubo de grandes cifras, os detalhes não chegaram ao grande público; muita coisa simplesmente nunca foi descoberta, outras partes foram mantidas em segredo para o melhor interesse das partes envolvidas.

Em Toupeira, Roger Franchini se debruça sobre o caso para escreve-lo em forma de romance, preenchendo os espaços vazios com informações obtidas junto a suas fontes, vindas do tempo em que era investigador da Polícia Civil de São Paulo. Quando os espaços a serem preenchidos não são objeto de inquéritos policiais, entra a imaginação do escritor.

É fácil perceber a fronteira entre os fatos e a imaginação ao ler Toupeira, no entanto. Roger Franchini conduz o leitor com habilidade pela trama de um crime que envolveu muito mais do que os alegados culpados e teve impacto determinante em episódios posteriores, sendo apontada pelo autor como uma das principais razões para a série de ataques que aconteceram em São Paulo em 2006. O envolvimento ativo da maior facção criminosa paulista é outro aspecto que me passou despercebido à época deste crime, aspecto este também muito bem descrito por Franchini. A quem conhece o modo de operação da facção por documentários ou outros livros e artigos, tudo é muito familiar. A quem não conhece, a organização espanta.

Toupeira conta uma história que por si só já é significativa, já que se trata de um dos maiores roubos da história do Brasil; o autor, no entanto, confere brilho próprio à sua versão dos fatos ao mostrar cada personagem e ao descrever as situações de forma fluida e clara.

A fronteira entre a não-ficção e a ficção é sempre tênue, com poucos autores realmente capacitados a atuar neste campo sem se queimar. Roger Franchini é bem sucedido em sua proposta, ao contar uma história real sem descuidar dos detalhes importantes, aqueles que a tornam ainda mais peculiar do que uma estória ficcional. Boa leitura.

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