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A toupeira da Dom Manuel

14/04/2011

Marcos Robério – Jornal “O Povo”, 14/04/2011

TOUPEIRA – história do Assalto ao Banco Central“, de Roger Franchini, será lançado hoje, às 19 horas, na Saraiva Mega Store do Shopping Iguatemi. O livro romanceia o assalto que esvaziou os cofres do Banco Central de Fortaleza, assustando todo o País.

Roger Franchini, 33, foi investigador da Polícia Civil de São Paulo por seis anos, até tirar a farda e tornar-se escritor. Hoje, às 19 horas, na Saraiva Mega Store do Shopping Iguatemi, ele lança seu segundo livro, o primeiro título da coleção Grandes Crimes, da editora Planeta, que o convidou para organizar a versão brasileira da bem sucedida série de livros europeia. Entre casos emblemáticos, a exemplo do assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel (PT), e do homicídio da menina Isabella pelo casal Nardoni, o crime escolhido para a estreia é um bem conhecido do fortalezense.

Os R$ 164,8 milhões roubados do Banco Central de Fortaleza em um fim de semana de 2005 alimentaram por meses o folhetim jornalístico com prisões, fugas e assassinatos de envolvidos, acusações de extorsão da Polícia, descoberta de novos detalhes do plano, sem chegar a recuperar ao menos metade do dinheiro furtado ou mesmo identificar o mentor do crime. Agora, o assalto é tema de um filme – dirigido pelo ator global Marcos Paulo, com um elenco de nomes como Lima Duarte, Antônio Abujamra, Gero Camilo e Milhem Cortaz, a ser lançado em julho próximo – e do livro de Franchini.

Toupeira – A história do Assalto ao Banco Central reconta o maior assalto a banco da história do País e um dos maiores do mundo. “A nossa preocupação era ter principalmente as informações que constavam nos autos. Eu fui pra Fortaleza, fui ao fórum, peguei os autos, dei uma olhada nos principais testemunhos, no laudo pericial feito no local da casa. Foram essas as informações básicas que ajudaram o meu serviço de pesquisa”, conta Franchini. Além disso, o autor pesquisou os jornais da época e se valeu das lembranças como investigador para construir as personalidades das pessoas envolvidas no crime. “Uma das opções que nós tomamos foi de não conversar com criminosos, nem com a Polícia, nem com pessoas envolvidas na investigação, para evitar o risco de uma confissão informal”, explica.

Diferente de seu primeiro livro – Ponto Quarenta: a Polícia Civil de São Paulo para leigos, de 2009, que possui a estrutura clássica de um romance policial com herói, bandido e um caso a ser solucionado –, Toupeira romanceia o assalto ao Banco Central a partir dos fatos, mas recriando perfis e diálogos entre os envolvidos, descrevendo momentos como a escavação do túnel, os instantes dentro do banco, a fuga de um caminhão cegonha para São Paulo e a extorsão, prisão e assassinado de alguns assaltantes capturados.

“Essa coleção tem uma característica que destoa um pouco das outras coleções que têm livros policiais. O leitor vai começar a ler o livro já sabendo o final dele”, adianta Franchini. Não fossem os descaminhados da própria investigação policial, a afirmativa do autor seria um desalento para o leitor mais afeito ao suspense do thriller. “Nenhum dos condenados assumiu a autoria da ideia. Cerca de 30 ou 35% dos 165 milhões foram recuperados, muito mais da metade desse dinheiro sumido nós nunca saberemos como está. Nem tudo foi contado e esclarecido”, diz. “A natureza do livro fica nessa penumbra”.

O ex-investigador, hoje advogado, admirador confesso de autores como Rubem Fonseca, Tony Bellotto, Marçal Aquino e Fernando Bonassi, já prepara o segundo livro da coleção, sobre o assassinato do casal Richthofen pela filha Suzane e os irmãos Cravinhos. O segundo título deve ser lançado em agosto. “Eu até brinco que a minha formação literária é de boletim de ocorrência. Foram tantos anos escrevendo e lendo boletim de ocorrência que a prática de escrever é meio automática. Quando eu penso numa história, eu sento e escrevo”, conta Franchini. “Eu acho que se não tivesse sido policial, hoje eu não teria o mesmo prazer pra escrever sobre o tema. Não dá para você separar o desprezo que o Governo tem pelo policial do trabalho de investigação que ele faz”, sustenta.

SERVIÇO
TOUPEIRA A HISTÓRIA DO ASSALTO AO BANCO CENTRAL
O quê: Lançamento do livro de Roger Franchini.
Quando: hoje, às 19h
Onde: Saraiva Mega Store, no Shopping Iguatemi (Av. Washington Soares, 85 – Edson Queiroz)
Preço: R$ 19 (208 páginas)
Mais informações: 3241.1986

ENTENDA A NOTÍCIA

Em agosto de 2005, foi descoberto um túnel que levava ao cofre da sede do Banco Central em Fortaleza. O roubo de mais de R$ 160 milhões foi o maior da história do Brasil e o segundo do mundo nos últimos 40 anos.

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