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Obras inéditas de Dashiell Hammett

05/02/2011

O jorna inglês “The Guardian” trouxe uma notícia que fará vibrar os fãs de romances criminais. Foram encontrados no Texas textos inéditos de Dashiell Hammett, o pioneiro do Hardboiled. Ao todo, são 15 histórias curtas do autor de “O Falcon Maltês” que estavam perdidas nos arquivos do Centro Harry Ransom, da Universidade do Texas em Austin.

Andrew Gulli, editor que encontrou as preciosidades, irá publicá-las na revista de histórias policiais “The Strand Magazine” (sim, ainda existem revistas especializadas em histórias ficcionais sobre crimes), e também pretende lançar uma coleção com as obras. O hardboiled, um estilo  literário nascido nascido nos EUA em pleno choque da depressão dos anos 20, caracterizava-se por narrativas que envolviam investigação criminal, e impressionou pela crueza urbana de seus enredos e personagens.

Curiosamente, no Brasil, o escritor Tony Belloto, no livro “Bellini e a Esfinge”, conta a história do detetive particular Remo Bellini em busca dos manuscritos perdidos de Dashiel Hammet. Não cometerei a pilhéria de contar aqui se o herói tupiniquim teve sucesso em sua empreitada, mas garanto que a história é ótima. De qualquer forma, o que era apenas boato, enredo para romances de ficção, estará disponível para quem quiser.

Perdoem-me a audácia, mas não resisti e fiz uma tradução livre de um excerto de uma das histórias perdidas:

ENTÃO EU ATIREI NELE

Rainey se ajeitou na cadeira para nos ver melhor, ou então para que nós o víssemos melhor. Eu estava sentado ao lado dele, um pouco para trás. Alongou-se sobre o patamar da varanda, o que acabou por destacar sua silhueta contra a luz cinzenta que vinha do lago. Porém, não havia nada de alongado em sua silhueta, suavemente arredondada ao longo de 35 anos de uma vida confortável.

“Eu não teria um cachorro que tenha medos de gatos”, ele concluiu.  “Pra que serve um cachorro, ou um homem, com medo de tudo?”

Metcalf, o mecânico, concordou com o patrão. Foi a única coisa que o vi fazer nos últimos três dias, desde que o havia conhecido.

“Tem razão”, ele disse. “É um inútil”.

Rainey torceu o rosto para me ver melhor. Seus olhos azuis – grandes e claros – tinham um brilho de confiança que sabia bem usar quando falava. Bastaria olhá-los uma única vez, e você teria a certeza de que se tratava de um promotor bem sucedido.

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