Quartered Love – the book
My best book. To those members of the São Paulo police force who refuse to be seduced by the temptation of crime. Translated by Jethro Soutar: jethrosoutar@gmail.com
Lançamento do livro “Amor Esquartejado”
Outro parto, outro filho, outra felicidade. Será dia 06/11/2012, terça-feira, na Livraria Martins Fontes da Avenida Paulista (Av. Paulista, 509., 01311-910, São Paulo).
Além da história estampada no título, ele narra uma sangrenta e velada guerra entre as polícias civil e militar de São Paulo. Seguem a orelha e anteparos da contracapa. Aguardo todos lá. Se não gostarem do livro, pelo menos a editora garantiu o vinho. Há um convite/evento no Facebook aqui.
A pré-venda começou na Saraiva, Martins Fontes e Livraria da Folha. Reserve o seu, caso não consiga ir ao lançamento.
“Franchini expõe policiais civis de São Paulo. Pode ser ficção, mas faz um sentido danado.”
Elio Gaspari – Folha de S. Paulo)
Era uma segunda-feira quando o país ficou sabendo de um assassinato brutal: um grande empresário japonês fora esquartejado, aparentemente pela própria esposa, no apartamento deles em um bairro de São Paulo. Com o passar dos dias, novas investigações revelariam que a mulher teria esquartejado o marido ainda vivo e que depois teria saído tranquilamente do prédio carregando os pedaços do corpo em malas de viagem.
Ciúmes? Vingança? Raiva? Loucura? Longe da pretensão de dar respostas, Amor esquartejado busca recortes e pontos de vista diferentes e surpreendentes. Mais uma vez, Roger Franchini leva seus policiais a uma emocionante investigação cujos envolvidos podem estar bem mais perto do que todos pensam.
“Se há um lugar comum sobre literatura é relativizar a importância da ‘pesquisa’ para o desenvolvimento de personagens ou de uma trama. Roger Franchini, no entanto, sem muita escolha ou premeditação acabou por desvencilhar-se da imagem convencional do escritor para colocar-se entre os homens que escrevem. Assim como Tchékhov foi médico e Hammet foi detetive na Pinkerton, Roger foi investigador da polícia civil de São Paulo. Uma escola de vida…e morte!Conheci-o por intermédio de um produtor que planejava adaptar para o cinema outro de seus livros: “Richthofen, o assassinato dos pais de Suzane”. Infelizmente o projeto ainda não vingou, mas ao menos pude ler em primeira mão o novo relato inspirado em mais uma loira fatal. Dessa vez é a ex-garota de programa e viúva do empresário nissei a quem ela – assegura o inquérito – teria matado e esquartejado com o objetivo de ocultar o cadáver. Tudo por conta de ciúmes – creiam – de outra garota de programa!Roger, contudo, escapa da vala comum do noticiário ao perscrutar possibilidades inauguradas por detalhes da investigação que apontavam para um eventual conflito entre policiais civis e militares que, de fato, faziam bico garantindo a segurança pessoal de empresário morto. A experiência na Força aliada a imaginação vertiginosa permitiu-lhe criar esse cenário de confronto entre civis e fardados. Mais do que um thriller, em ‘Amor Esquartejado’ os personagens se debatem em solidão, incapazes de ouvir e muito mais de dizer qualquer palavra que lhes permita viver com o outro. Preferem sempre a morte.” (Victor Navas, roteirista dos filmes “Cazuza”, “Carandiru”, entre outros)
Trecho:
“O investigador era sua quarta transa desde a noi-te passada. E a primeira em que gozou. A língua de café amargo percorria a boca do policial, lembrou-se do velho de sobrancelhas grisalhas e espetadas que chegou às oito e meia, com o Jornal Nacional, e que só queria um beijo longo. Esse ela não contabilizou como sexo, mas cobrou a hora pelo mesmo esforço. Dizia-se advogado e com esposa fria desde sempre, apesar de ter lhe dado dois filhos há quatro dezenas de anos.
Nove e meia, o baixinho invertido que gostava de usar calcinha enquanto ela o chupava. Quinhentos reais. Onze e meia veio o velho silencioso e bem-dota-do, que além dos oitocentos reais também lhe trouxe um par de brincos solitários.
Uma hora, cliente novo, oriental, sorridente. Con-versaram durante quase todo o tempo. Pelo horário em que se dispôs a visitá-la, supôs que a aliança que trazia na mão esquerda já não lhe valesse o risco de ser descoberto pela esposa. Despediu-se ao perceber que o sono já pesava nos olhos da mulher.”
Quartered Love
The detective was her fourth fuck of the night. And the first during which she came. Her tongue, bitter with the taste of coffee, ran around inside the policeman’s mouth, reminding her of the old guy with the stubbly grey eyebrows who’d arrived at nine o’clock sharp, as prompt as the evening news, and who only wanted a long kiss. She didn’t count that as sex, but she still charged for the full hour. He’d said he was a lawyer and his wife had always been cold with him, though she’d born him two kids forty-odd years ago.
Ten o’clock, the stumpy cross-dresser who liked to wear a pair of panties while she sucked him off. Five hundred reais. Eleven thirty, the old, quiet, well-endowed guy, who gave her a pair of earrings as well as her eight hundred reais
One o’clock and her newest client, oriental, smiley. They chatted almost the whole way through. Judging by the time he’d chosen to visit her, the wedding ring on his finger no longer counted for much and he didn’t care whether his wife knew he slept with call girls or not. He only left when he noticed sleep was weighing heavy on Barbara’s eyes. (translated by Jethro Soutar)
A sua corrupção é mais grave do que a minha
Podem-se elencar milhares de motivos para a corrupção nos governos de um Estado. O mais comum é começar pela fraqueza do Homem diante da sede pelo poder, dinheiro e as vantagens agregadas. É a mais fácil das saídas, e até incentivada pelos opositores daqueles que detém o poder em certo momento histórico, como meio se diferenciar e mostrar ao eleitorado que ele próprio é a solução.
Mas pensando em teorias menos subjetivas, tenho para mim que o próprio Estado, como o conhecemos, é o motivo dos erros. A clássica organização de três poderes, que devem se vigiar e só podem funcionar com a aprovação mútua, parece a menos adequada para o regime democrático. A tripartição é a culpada por obrigar os administradores a negociar parcelas do poder com os adversários para impor sua gestão. Hoje sabemos o quanto isso é caro à probidade.
O chefe do executivo (prefeito, governador, presidente) só conseguirá a aprovação do orçamento para suas políticas públicas, caso consiga convencer o parlamento. Se a maioria dos congressistas dividirem os mesmos interesses, ótimo. Porém, estando isolado politicamente, nada poderá fazer, a não ser esperar o fim do mandato com os índices de aprovação popular escoando pelo ralo.
O parlamentar só terá suas leis aprovadas na respectiva casa, se votar em conjunto com a maioria. E somente poderá levar dinheiro para o progresso da região do país que o elegeu, se for exitoso em manter boas relações com o ministro (ou secretário) da área, este, uma função delegada do chefe do executivo.
O judiciário, que em tese seria um imparcial e apático político, precisa de verbas e aprovação de leis para manter-se isolado do mundo da jogatina de interesses.
Se a sociedade que compõe essa trama for culturalmente homogênea, não haverá problemas nos relacionamentos de interesses. Sendo, porém, habitada por segmentos opostos, não se sabe quem prevalecerá.
O Brasil começou republicano com o então recente modelo estadunidense, entre fazendeiros e oligarcas, homens bons e de moral ilibada. Seus filhos continuaram a saga da sucessão patrimonial, com poucos desvios de orientação, mas sempre no topo da administração pública. Sobrenomes orgulhosos se repetem há séculos desde os tempos de Anchieta.
Só no final do séc. XX os escravos e pequenos comerciantes passaram a participar desta secular pirâmide, adaptando-se aos esquemas pouco ortodoxos de tomada de poder, homogeneizando-se com o habitual. O abismo de miséria que separa os extremos das camadas sociais ficou evidente em ódio e preconceito mútuos. O choque entre os “leitinho com pêra” e os “cremiltons” passaram a se intensificar, e a mídia, muleta tradicional da dominação estabelecida, ganhou e perdeu parceiros importantes, pregando que “a sua corrupção é mais grave do que a minha”.
E os EUA, onde tudo começou, deveria olhar para abaixo da linha do equador para aprender como lidar com a miséria insubordinada. Desde Cabral, a lição que se tira do choque entre ricos e pobres é que o cano da pistola sempre terá um som maior.
MAIS AMERICANOS VEEM CHOQUE DE CLASSES
Taxa de entrevistados que dizem haver conflitos fortes ou muito fortes entre pobres e ricos sobe de 47% para 66%. Discurso do movimento “Ocupe”, iniciado em setembro de 2011, capturou consciência da população, diz instituto
Verena Fornetti – Folha de São Paulo, 18.02.20122 (aqui, só para assinantes)
Com a crise econômica, mais americanos estão percebendo os EUA como um país dividido entre ricos e pobres. Pesquisa do Pew Research Center aponta que 66% dos entrevistados veem conflito forte ou muito forte entre as classes sociais. Em 2009, esse percentual era de 47%.
O número de pessoas que afirmam existir choque muito forte (30%) é o maior registrado desde o início das pesquisas da entidade, em 1987, e representa o dobro do que a resposta obteve na edição passada do levantamento, em julho de 2009.
Para o instituto, o discurso do movimento “Ocupe”, que desde setembro de 2011 promove manifestações contra desigualdade social e lucros corporativos, capturou a consciência dos americanos, mesmo após os manifestantes terem sido retirados de espaços públicos.
Kim Parker, um dos diretores do centro de pesquisa, argumenta, porém, que o fato de mais norte-americanos apontarem a oposição de classes não significa necessariamente que a maioria da população do país esteja revoltada com isso.
“A visão das pessoas sobre os motivos que levaram os ricos a se tornarem ricos não mudou recentemente: 46% disseram que os ricos ganharam dinheiro porque conhecem as pessoas certas ou nasceram em famílias ricas, mas quase o mesmo percentual (43%) disse que a razão é o trabalho duro.”
A sondagem também indica que os americanos veem a sociedade mais polarizada entre imigrantes e nascidos nos Estados Unidos e entre jovens e idosos.
Os negros são a fatia da população que mais enxerga conflito entre ricos e pobres. Entre os entrevistados negros, 74% afirmaram que há tensão forte ou muito forte entre as classes sociais. De acordo com o censo, enquanto o índice de pobreza geral nos Estados Unidos é de 13,8%, a taxa para os negros é de 27,4%.
RENDA
A percepção dos americanos sobre a oposição entre os grupos nos EUA está em sintonia com o que mostram as pesquisas do escritório oficial de estatística. Segundo o órgão, há piora na renda e alta da desigualdade.
A renda da população recuou 2,3% no ano passado na comparação com o anterior. Indicador que considera, por exemplo, propriedades, ações e joias mostra que essas riquezas ficaram mais concentradas nas mãos dos 10% mais ricos -de 49% em 2005 para 56% em 2009.
A pesquisa do Pew Research Center ouviu 2.048 pessoas em dezembro do ano passado. A margem de erro da pesquisa é de 2,9 pontos percentuais.
Um mundo em que hábitos são decretos
No mundo de Kafka as fúrias se antecipam ao crime. Existe a inversão de culpa e a paralisação do tempo.
Kafka não se sente preso por dentro, mas por fora. Kafka pode inverter a sequência de causa e efeito: por exemplo, o romance ‘O Processo’, começa com uma acusação, que permanece totalmente vazia, mas que arrasta o acusado para a culpa.
A punição, portanto, se antecipa cronologicamente ao crime.
(Günter Anders – Kafka: pró e contra)
O sorriso de Kafka
Morador de rua é condenado à prisão domiciliar por furto em São Paulo (G1 – 10/02/2012)
O século XX foi pródigo em teorizar Trabalho, Direito e Capital para tentar entender o sistema que envolve trabalhadores, dominação e poder. Em um período em que a sociedade era dicotomicamente dividida em patrões e empregados, as coisas se apresentavam óbvias, ao ponto de se acreditar em revoluções geridas pelo povo, o Povo, que não era patrão. Na posição de colunas entre a base e o topo, um movimento de pessoas que detinha força de trabalho e razoável poder de consumo. O retrato da ideal sociedade capitalista, que encontrava no fascismo um sistema default.
O sujeito nasce, pode mudar sua fonte, a cor, a formatação o que quiser, mas a classe média sempre traz consigo o arraigado conceito de que a Lei só serve pra protegê-la do que lhe parece diferente. O Direito só alcança as minorias quando o prejuízo da omissão legislativa os atinge de forma significativa. Foi assim no regime militar dos anos 60, foi assim com os direitos da mulher, dos homossexuais, dos idosos…
Ao raiar dos anos seguintes, após extremo excesso de sangue e censura, aparentemente a democracia prevaleceu como o regime menos cruel, transformando-se em um fascismo tolerável. A Lei garante segurança pública para o cidadão percorrer tranquilas as ruas de sua cidade.
A melhor leitura do século XX foi de Kafka. Ele se foi, mas notícias como essas são tão comuns, impossíveis de se indignar. No máximo, merecem um sorriso de sarcasmo, para demonstrar o quanto toleramos a incompletude da Lei. Nem na França.
Livro Richthofen no Jornal “A Gazeta” – ES
Leia a matéria completa aqui.
Um podcast da blogosfera policial
Um dos meus maiores orgulhos da época de blogueiro foi o podcast da Blogopol. Segue a entrevista com o Major Matinez, da Polícia Militar de Santa Catarina, e também blogueiro, entusiasta da elobração do Termo Circunstanciado pelos PM. Conclamos o Niedson para os próximos programas:






